segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

FIM DO CENTRO DOM BOSCO EM CACHOEIRA DO CAMPO

Enviado por KURUZU às 12:44 de seg, 17/jan/2011

Salesianos encerraram definitivamente as atividades no centro D. Bosco

por José Augusto (prof. Guto de Cachoeira)


''O meu sistema? Simplicíssimo: deixar aos jovens plena liberdade de fazer o que mais lhe agrada. O problema é descobrir neles germes de boa disposição e procurar desenvolve-los''. dom Bosco.


As atividades serão encerradas neste dia 30.

O antigo quartel da cavalaria foi doado aos salesianos no final do século XIX pra ser uma escola profissionalizante e dar oportunidade às pessoas mesmo favorecidas. Contudo, posso estar enganado, mas eu não tenho notícias que esta oportunidade tenha sido realmente colocada em prática na sua íntegra. Além disso, os salesianos continuaram na sua desconstrução dos sonhos do povo ouropretano.

Nos anos 70 os salesianos uniram-se a um empresário local e construíram em parceria um loteamento irregular que provocou uma grande catástrofe ambiental, basta ver a voçoroca e o assoreamento que se desenvolveu em frente ao antigo Colégio D.Bosco. Os salesianos responsáveis pelo desastre ecológico não deveriam ter sido punidos rigorosamente? Pessoas são presas por muito menos.

Outro crime cometido pelos salesianos foi a venda de uma parte do terreno onde está localizada a Segunda Cascata. O atual "dono" expulsa os cachoeirense da cascata com cães ferozes. Os passeios até à Cascata faziam parte da tradição do povo e os salesianos simplesmente ignoraram esta tradição, desrespeitando a história de um povo que tanto sofre.

Por fim, o argumento dos salesianos para vender as terras é que o então "governador" de Minas (1963 a 1966) Magalhães Pinto, doou por definitivo as terras aos salesianos. Será esse governador tinha legitimidade para tal? Ele, Magalhães Pinto, não foi um dos mentores do golpe militar de 1964? Será que foi uma troca? Todos sabemos que a Igreja em um primeiro momento apoiou o golpe militar de 64.

Ouro Preto (Cachoeira do Campo) está perdendo uma grande oportunidade. As terras do Antigo Quartel poderiam ser hoje um Campus da UFOP e realmente cumprir seu papel a que foi destinada aos salesianos no passado: ser uma instituição educacional.

Caros salesianos essa “dilapidação do patrimônio do povo” pode ser legal mas é altamente imoral.

Um comentário:

  1. Caro Professor José Augusto:

    Meu nome é Ivan Moreira de Sousa.
    Pelo período de um ano e meio fui Coordenador Administrativo do Centro Dom Bosco.
    Na época tentei empreender algumas ações visando o benefício da comunidade, iniciando pela valorização dos bravos colaboradores do Centro, que sempre foram tratados de maneira desumana e sem qualquer perspectiva.
    Tentei preservar o ícone de Cachoeira do Campo, orgulho desse povo simples, porém aguerrido.
    Tive o orgulho de aprender, com muita humildade, diversas lições de vida com uma das pessoas mais brilhantes que conheci na vida: Dona Orsina Pereira.
    Ela, como ninguém, conhecia e sabia da importância histórica e cultural do antigo Colégio e lutou até o final de seus dias para sua preservação.
    Ensinou-me sobre a história do Colégio e também sobre a alma de Cachoeira do Campo.
    Com sua simplicidade, mostrou-me como era culta, inteligente, gentil e amorosa, simbolizando o espírito de seus conterrâneos.
    Fico extremamente triste ao constatar mais esse absurdo, dentre tantos outros, além dos citados pelo senhor.
    É de se lamentar que uma instituição tida como beneficente e goza de todas as prerrogativas constitucionais de isenção de impostos, aja de forma tão desdenhosa para com o povo de Cachoeira do Campo que sustentou, desde sempre, a reputação dos salesianos.
    Também estou sofrendo, pessoalmente, por atitudes e desconsideração por parte dos salesianos que tudo fazem para estarem acima da lei do do direito.
    Fico mais pesaroso principalmente pelos funcionários que dedicaram toda uma vida, como a Cidinha, por exemplo, ao trabalho, quase escravo, e não têm qualquer reconhecimento por parte da instituição.
    Deixo aqui minha solidariedade e meu abraço sincero ao povo de Cachoeira do Campo.
    Sinceramente.
    Ivan.

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